segunda-feira, 2 de novembro de 2009

E A VIDA PROSSEGUE...



Quem de nós já não experimentou a súbita ausência de um ente querido?

Quem de nós já não sentiu profunda saudade de um afeto que, não estando mais no mundo corpóreo, deixa uma aparente lacuna em nossa vida?

Mesmo expressando fé em palavras ou em muitas de nossas atitudes, a tristeza da falta do contato, da ausência do sorriso, da impossibilidade de um abraço acaba por nos fazer agir com imensa tristeza diante da morte.

Não é fácil se despedir de um ente querido, mesmo idoso ou longamente doente, quando já nos era sabido que a ausência física ocorreria em breve.

Com certeza, a ausência aparentemente definitiva daquele a quem demos apenas um até logo é muito mais difícil de entender ou aceitar.

A mãe que recebe a notícia da morte de um filho que deveria, em algumas horas, estar de retorno ao lar deverá encontrar forças imensas para ir adiante.

O esposo que descobre que a amada esposa não chegará daquela viagem, possivelmente tem a sensação de que o chão lhe treme.

Mas, por que será que a morte não é por nós vista como um adeus temporário? Por que a certeza da sobrevivência da alma ou Espírito, tão comum entre diversas religiões, não nos dá consolo imediato?

Sabemos que o que chamamos de morte é apenas a morte do corpo físico, pois o Espírito ou alma é eterno, e esta crença é verdade para grande parte da Humanidade.

Acostumados a valorizar a vida material acabamos por dar um grande valor à morte física, nos esquecendo frequentemente de que ela é só do corpo, jamais do Espírito.

Se realmente temos fé, se realmente nossa crença está alicerçada no coração e na mente, o consolo virá e será mais facilmente aceito.

Deus, em sua infinita bondade e justiça, não interromperia a vida física de um jovem sem um motivo; não afastaria, de modo aparentemente irremediável, um ente da família sem uma razão.

O que ocorre é que, vivendo em um corpo físico, nosso Espírito não lembra dos momentos em que, com alegria e determinação, participou de sua programação de vida, incluindo o tempo que esta duraria.

Lembramos, então, da necessidade de uma fé sólida e inabalável, que pode e deve ser questionada, para que possa ser vivenciada de maneira consciente, mas jamais esquecida.

Francisco Cândido Xavier, o grande médium reconhecido e respeitado mundo afora, nos trouxe, através da sua mediunidade psicográfica, inúmeras notícias do outro lado, nos dando provas de que a vida prossegue, e que os sentimentos continuam.

Muitas famílias tiveram a felicidade de saber que seus amores continuavam vivos, em outro plano, e que o sentimento de amor sobrevivera à separação física.

Não foram poucas as mensagens pedindo que não houvesse tristeza, pois esta podia ser sentida por quem morrera e, frequentemente, lhe dificultava o caminhar.

Os sentimentos, sejam alegres ou tristes, são percebidos por nossos amores em outro plano e eles sentir-se-ão tristes ou felizes, tal qual nós, deste lado, sentimos.

A tristeza é normal no primeiro momento, a saudade perfeitamente aceitável mas, jamais o desespero, a revolta, a procura infindável de um responsável.

A oração, instrumento acessível a qualquer pessoa, independentemente de sua crença, é valioso meio de buscarmos forças e de enviarmos nossos sentimentos de amor a quem já partiu deste plano físico.

Redação do Momento Espírita.

sábado, 17 de outubro de 2009

DESAFIO EXISTENCIAIS


Toda existência é oportunidade de aprendizado para todos nós, que partimos um dia do mundo espiritual a fim de realizar essa experiência ímpar chamada vida.

A vida, esta do lado de cá da existência, tem um propósito claro e inequívoco aos olhos de Deus: o de nos oferecer chances de progresso e melhoria pessoal.

Ao nos criar Espíritos imortais, nos fez a todos simples e ignorantes... Ou seja, sem capacidades intelectuais ou morais pré-determinadas.

Desta forma, a pergunta que mais nos ocorre é a seguinte: de onde vêm os nossos pendores, os dons com os quais nascemos, ou as virtudes e paixões que trazemos na alma?

Se somos criados todos iguais, por que somos aqui na Terra tão diferentes uns dos outros? Por que, irmãos gêmeos, sob a mesma educação, os mesmos pais, são tão diferentes?

Ao nascermos novamente, ao retornarmos à experiência de nascer, trazemos conosco toda uma bagagem que adquirimos nos caminhares que já fizemos em nossa história.

Trazemos no cofre de nossa alma todos os tesouros e todas as quinquilharias que, porventura, fomos juntando nos nossos caminhares, pelos caminhos que já percorremos ao longo de nossas existências.

Assim, todas as nossas virtudes e todos os nossos sentimentos são conquistas feitas em algum momento de nossa história, e que hoje trazemos para mais este capítulo do livro que estamos escrevendo desde muito.

Se hoje sentimos raiva, vingança e ódio, se temos inveja ou ciúmes, são desvalores que adquirimos por opção própria, e que ainda fazem parte de nossa estrutura emocional.

Por outro lado, se trazemos na alma a doçura, a compaixão pelo próximo, a benevolência no olhar, são resultantes dos esforços que fizemos para adquiri-los e tê-los na intimidade da alma.

Se hoje percebemos em nós sentimentos que já não são coerentes com nossos conceitos e valores, começa aí o esforço para a transformação da alma.

A vida é exatamente essa oportunidade que a Providência Divina nos oferece para que a modificação da alma, para melhor, se faça.

E para tanto, nossa vida é pródiga de oportunidades para modificarmos as coisas da alma que precisam ser mudadas.

Seja a esposa intolerante, o marido incompreensível, o filho exigente, o chefe às vezes tirano, todos nos oportunizam a chance de experimentar outros valores e desenvolver renovados sentimentos na alma.

Muitas vezes, o convite da vida vem através da doença, do revés financeiro que nos abala, ou do ente querido que parte para o Mundo Espiritual nos deixando órfãos emocionalmente.

Todos esses desafios que a vida nos oferece são convites silenciosos que ela nos faz, nos oferecendo a chance de renovar paisagens emocionais, repensar posicionamentos e principalmente, redirecionar nossos passos para caminhos que nos conduzam à felicidade.

Em qualquer momento de sua vida, perceba ser ela oportunidade bendita que Deus lhe oferece de iniciar a construção do Reino de Deus dentro de você.

Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O PONTO CULMINANTE



Você é um Espírito imortal que temporariamente enverga uma veste de carne.
Já teve infinitas experiências em incontáveis vidas.
Já foi rico e pobre, homem e mulher, saudável e enfermo, a cor de sua pele variou grandemente.
Errou, acertou, errou de novo para acertar com mais propriedade logo depois.
O ato de sua criação perde-se na noite dos tempos.
Entretanto, você se constrói a cada nova experiência.
Embora nem sempre seja feliz em suas escolhas, de cada vida sai mais forte e preparado.
Houve ocasiões em que terminou a trajetória carnal insatisfeito consigo mesmo.
Após cessarem as ilusões da matéria, compreendeu que poderia ter utilizado melhor seu tempo e seus recursos.
Mas também já atravessou vidas sofridas, nas quais resgatou graves débitos e fez importantes aprendizados.
A Lei do progresso é um imperativo universal.
Ela impede que um Espírito perca virtudes e inteligência.
É possível nascer em situações mais complicadas e sucumbir a tentações.
Mas ninguém regride em sua evolução.
Uma vez conquistado determinado valor, ele jamais se perde.
A inteligência cada vez mais se abrilhanta, sem possibilidade de retrocesso.
Desse modo, hoje você está no ponto culminante de sua trajetória milenar.
Jamais foi tão inteligente e virtuoso.
Sabedoria, bondade, capacidade de renúncia e de trabalho, tudo em seu ser se encontra no zênite.
Está no exato ponto da evolução para o qual se preparou e dispõe dos recursos mais adequados à solução de seus problemas.
Sua atual existência foi carinhosamente preparada.
Considerando seus compromissos, erros e acertos, ela retrata uma possibilidade de real elevação.
A título de aprendizado e progresso, ou de provações retificadoras, você possui amplas condições de se sair maravilhosamente bem.
Não importa quão difícil lhe pareça dada exigência da vida, você pode dar conta dela.
Seus familiares são os mais adequados às suas necessidades.
As condições de sua vida são as ideais, conforme a Lei de merecimento que rege o Universo.
Você não é vítima e nem privilegiado.
Recebeu o necessário para ser um agente do progresso e espargir o bem em seu derredor.
À vista disso, importa compreender que a base de sua tranquilidade reside na integridade da consciência.
Todos os problemas que surgem em seu caminho são uma oportunidade bendita de retificação e aprendizado.
As carências são um auxílio a mais, um convite para compreender as tristezas do próximo.
Os recursos são generosos empréstimos da vida maior, em favor de sua felicidade.
Está em suas mãos converter todos esses fatores em luz e paz em seu caminho, mediante uma sábia e digna aplicação.
Pense nisso.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXX, do livro Coragem, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 13 de outubro de 2009

ENTRE HOJE E AMANHÃ


As pessoas foram criadas por Deus com um grande potencial; porém a maioria delas parece que não crê nisso.As pessoas, de um modo geral se posicionam diante da vida como se fossem viver para sempre. Philip Adams

Amanhã é tarde demais para tirar o melhor proveito da oportunidade que está diante de você hoje. A razão por que é tarde demais é que amanhã é apenas um conceito. Afinal, não lhe está garantido um amanhã. Tudo que você tem é o hoje, que aí está - diante de você.

Cada momento é uma dádiva especial vinda de Deus, uma dádiva impossível de comparar a nenhuma outra. Viva e aja hoje, enquanto realmente você pode, e as possibilidades que se abrirão à sua frente serão simplesmente maravilhosas.

Aquilo que você fez hoje está feito. Aquilo que você deixa para amanhã é possível que seja realizado. Só que a você não está garantido um amanhã. Amanhã é uma boa desculpa, mas hoje é o tempo de ação. Tome o dia de hoje e retire dele o que existe de melhor.

Para Meditação:

Agora escutem, vocês que dizem:

"Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos um ano fazendo negócios e ganhando muito dinheiro!" Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece. Tiago 4:13,14



sábado, 10 de outubro de 2009

A GRATIDÃO


Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das Ruas Yafo e Mêlech George no centro de Jerusalém.
No estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha de tanto tempo.

Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.
Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e
saiu em direção à sua próxima reunião.
Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera.
O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s... Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila.
Certamente ele ainda estava na pizzaria.
Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.
Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.
A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, sendo seis crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em
condições críticas.
As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada.
Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma.
Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda.
Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado pelo exército.
Moshê procurou seu 'salvador' entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.
Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.
Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida.
O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.
Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.
Finalmente encontrou o israelense num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida.
Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.
Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.
Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias.Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma
hora de avião de Nova Iorque.
Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila. Mas não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.
Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo - e deixou de ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001.. Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center Twin Towers.

(Relatado em palestra do Rabino Issocher Frand)


Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome.' Salmos 100:4

Gratidão, um beijo no coração de todos.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SACUDIR O PÓ


Conforme consta do Evangelho segundo Lucas, em dado momento Jesus enviou Seus discípulos para pregar e curar.

Dentre as exortações, orientou como deveriam se comportar, caso eles e suas ideias não fossem acolhidos em algum lugar.

Nessa hipótese, os discípulos deveriam se retirar e sacudir o pó de seus pés.

Há quem veja nessa forte expressão um anátema lançado contra os descrentes.

Contudo, isso destoa do conjunto da mensagem do Cristo.

Jesus ensinou e exemplificou a compaixão e não fugiu do contato com os equivocados do Mundo.

Afirmou mesmo que os sãos não necessitam de remédio.

Uma coerente interpretação da exortação é no sentido de que os discípulos não deveriam conservar qualquer rancor.

Ao se despedir de quem não os havia aceitado e compreendido, deveriam seguir de alma leve.

Bater o pó dos pés equivaleria a se livrar de todo traço de impureza, no sentir e no pensar.

Trata-se de uma lição preciosa, cuja aplicação permite permanecer em paz em face da incompreensão.

É comum a criatura idealista desejar partilhar seus sonhos e projetos de um mundo melhor.

Ela se toma de natural tristeza quando não é compreendida.

Esse sentimento é ainda mais forte quando são seus amores que não a entendem.

Por exemplo, um pai rigorosamente honesto que não consegue convencer os próprios filhos a lhe seguirem os exemplos.

Uma esposa tomada do ideal da caridade que encontra resistência no próprio esposo, quanto a seus atos generosos.

Um professor apaixonado pelo saber que depara com alunos preguiçosos.

Nessas experiências decepcionantes, é preciso sacudir o pó dos pés.

Compreender que a liberdade é uma lei da vida e não esperar dos outros o que ainda não podem ou não querem dar.

A construção de um mundo melhor não se faz sem sacrifícios.

Quem esposa o ideal de um padrão ético superior é um homem do amanhã.

Ele vive hoje o que a maioria viverá mais tarde.

Sua função é a de um semeador do bem.

Com seu exemplo, demonstra a possibilidade de ser honrado e generoso.

Com suas palavras, exorta os que o rodeiam a imitá-lo.

Mas não pode impor suas ideias.

Cada alma amadurece a seu tempo para as grandes verdades da vida.

Perante incompreensões, resta a tranquilidade da consciência pelo dever bem cumprido.

E também a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, as sementes do bem produzirão saborosos frutos.

Compete a cada homem colaborar para que o mundo se aprimore e os costumes se purifiquem.

Entretanto, o resultado de seus esforços repousa nas mãos de Deus.

Com o inesgotável recurso do tempo, Ele assegura que, no momento adequado, o bem se torne pujante, no íntimo de cada ser.

Pense nisso!


Fonte: Momento Fraterno

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ORAÇÃO


A prece tem sido definida como o diálogo com a Divindade. Desde os tempos mais recuados, as notícias históricas nos asseveram que o homem, mesmo antes de compreender a existência de um Ser Criador, buscava aplacar as potestades com invocações e sacrifícios.

Acreditava haver algo superior a si mesmo, que se manifestava no troar dos céus em revolta, nas danças aceleradas dos ventos em rebuliço, na chuva implacável que arrasava sua morada e levava seus poucos bens, no frio que lhe dilacerava as carnes, enregelando-o.

Por isso, buscava se comunicar com tais forças, e fazia tentativas diferentes para ver o que as poderia acalmar.

Eram os rudimentos da prece, do buscar o Superior, de tentar a comunicação.

Embora, ainda nos dias atuais, muitos interpretem a oração como um simples repetir de palavras ou como fraqueza dos que não têm a quem buscar, senão o invisível, ela é arma vigorosa, que tem o poder de nos alçar a regiões de tranquilidade e paz, de lá haurindo a calma e a força de que carecemos para prosseguir nos combates diários, que a vida nos impõe.

Aqueles que se afeiçoam a uma religião, que têm fé em Deus infinitamente bom e misericordioso, utilizam a oração para rogar, pedir, suplicar.

Os que, além da misericórdia e bondade Divinas, divisam o Esteta, o Pai amoroso que tudo dispôs para os Seus filhos na face do planeta, habituam-se a orar em louvor.

Desta forma, ao sentirem o sol radioso, o firmamento em azul celeste, as nuvens em formas esbeltas e artísticas, a brisa que refresca a canícula do dia escaldante, a profusão das cores tão bem dispersas, em espetacular quadro na natureza, recordam-se de alçar o Espírito e louvar o Criador de tanta beleza e harmonia.

Quem, senão um Excelso Artista pensaria em tantas cores, em tantos sons para Seus amados?

Quem, senão um Sábio Cientista pensaria em Leis tão extraordinárias que regem a vida?

A semente que mergulha na escuridão do solo e se transforma em árvore, flor, fruto, alimento.

Duas gotículas que se encontram na intimidade da trompa de Falópio e se transformam em um novo ser, em nome do amor.

Assim, a prece em nossos lábios se transforma em um poema de gratidão, pela luz, pelo dia, pelas estrelas, pela noite enluarada, pela vida.

Baixemos o olhar e, maravilhados pelas dádivas que nos chegam a toda hora, agradeçamos a este Artista, Poeta, Criador, Pai que nos plenifica de bênçãos todos os dias.

Oração é louvor, é súplica, é gratidão. Depende de nós a utilizarmos em nossas vidas, em sua amplitude ou somente na particularidade de um aspecto.

Entendê-la e servir-se dela, com sentimento, é atitude que somente nos trará felicidades desde o hoje, mesmo ante as dores e tormentas que nos chegam como apelos dos céus para que nos afeiçoemos ao bem.

A oração pode ser comparada ao arado que trabalha laboriosamente o solo onde se pretende semear. É necessário conduzi-la bem.

A prece constroi a ponte entre o filho e o Pai. Compreendida em sua essência e bem utilizada, faculta intensa conversação entre ambos e vai muito além da simples petição do necessitado.

É o diálogo íntimo de um coração ferido a outro, infinitamente pleno de amor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

VOCÊ PODE



Você pode curtir ser quem você é, do jeito que você for, ou viver infeliz por não ser quem você gostaria.

Você pode assumir sua individualidade, ou reprimir seus talentos e fantasias, tentando ser o que os outros gostariam que você fosse.

Você pode produzir-se e ir se divertir, brincar, cantar e dançar, ou dizer em tom amargo que já passou da idade ou que essas coisas são fúteis sérias e bem situadas como você.

Você pode olhar com ternura e respeito para si próprio e para as outras pessoas, ou com aquele olhar de censura, que poda, pune, fere e mata, sem nenhuma consideração para com os desejos, limites e dificuldades de cada um inclusive os seus.

Você pode amar e deixar-se amar de maneira incondicional, ou ficar se lamentando pela a falta de gente à sua volta.

Você pode ouvir o seu coração e viver aproximadamente ou agir de acordo com o figurino da cabeça, tentando analisar e explicar a vida antes de vivê-la.

Você pode deixá-la como está para ver como é que fica ou com paciência e trabalho conseguir realizar as mudanças necessárias na sua vida e no mundo à sua volta.

Você pode deixar que o medo de perder paralise seus planos ou partir para a ação com o pouco que tem e muita vontade de ganhar.

Você pode amaldiçoar sua sorte, ou encarar a situação como uma grande oportunidade de crescimento que a Vida lhe oferece.

Você pode mentir para si mesmo, achando desculpas e culpados para todas as suas insatisfações, ou encarar a verdade de que, no fim das contas, sempre você é quem decide o tipo de vida que quer levar.

Você pode escolher o seu destino e, através de ações concretas caminhar firme em direção a ele, com marchas e contramarchas, avanços e retrocessos, ou continuar acreditando que ele já estava escrito nas estrelas e nada mais lhe resta a fazer senão sofrer.

Você pode viver o presente que a Vida lhe dá, ou ficar preso a um passado que já acabou - e, portanto não há mais nada a fazer -, ou a um futuro que ainda não veio - e que, portanto não lhe permite fazer nada.

Você pode ficar numa boa, desfrutando o máximo de coisas que você é e possui, ou se acabar de tanta ansiedade e desgosto por não ser ou não possuir tudo o que você gostaria.

Você pode engajar-se no mundo, melhorando a si próprio e, por conseqüência, melhorando tudo que está à sua vota, ou esperar que o mundo melhore para que então você possa melhorar.

Você pode celebrar a Vida e a Energia Universal que o criou, ou celebrar a morte, aterrorizado com a idéia de pecado e punição.

Você pode continuar escravo da preguiça, ou comprometer-se com você mesmo e tomar atitudes necessárias para concretizar o seu Plano de Vida.

Você pode aprender o que ainda não sabe, ou fingir que já sabe tudo e não precisa aprender nada mais.

Você pode ser feliz com a vida como ela é, ou passar todo o seu tempo se lamentando pelo que ela não é.

A escolha é sua.

E o importante, é que você sempre tem escolha.

Pondere bastante ao se decidir, pois é você que vai carregar - sozinho e sempre - o peso das escolhas que fizer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pai ajuda na recuperação da filha


Filha única de seu Bira, Alice conseguiu recuperar movimentos
O Bahia Meio Dia deste sábado (8), véspera do Dia dos Pais, fala de uma linda história de amor. Amor de um pai por uma filha. Seu Bira trabalhava como engenheiro e teve a vida transformada depois que a única filha, Alice, sofreu um grave acidente de carro, há nove anos.

Com a ajuda da mulher, ele superou a tragédia. Hoje se dedica totalmente à recuperação da filha. Quem conta a história é o repórter Ricardo Ishmael, que viajou até Serrinha, onde a família mora, para mostrar esse exemplo de amor.

Assista ao Bahia Meio Dia na íntegra

A paixão pelos livros vem desde a infância. Na pequena biblioteca, ele passa horas lendo e pesquisando. Mas parte do tempo livre seu Ubirajá Campos, conhecido como Bira, dedica à religião. Homem de muita fé, encontrou na devoção a São Judas Tadeu a força para superar um drama familiar.

Nas fotos, jovem, vaidosa e sempre cercada de amigos. Filha única de seu Bira e dona Débora, Alice queria ser administradora de empresas. Faltando um semestre para concluir a faculdade, o sonho foi interrompido. Nove anos atrás.

Era véspera de Natal. Alice, na época com 23 anos, voltava de uma festa na praia de Ipitanga. Com ela, dois amigos. No caminho, o motorista perdeu o controle da direção, o carro capotou e ela foi projetada para fora do veículo. Os amigos de Alice tiveram ferimentos leves. Ela, traumatismo craniano.

Depois de sete meses internada em estado de coma, o diagnóstico dos médicos. Alice teve uma grave lesão na coluna. Dificilmente voltaria a andar.

Bira não se conformou. Aos 49 anos, voltou à sala de aula. Formado em Engenharia, começou a estudar neuropsicanálise. Queria descobrir um jeito de ajudar Alice a sair da cadeira de rodas. Depois de uma longa jornada, se especializou em psicoterapia, deficiência mental e no tratamento da dor. Com o apoio da mulher, deixou a capital para morar em Serrinha, a 175 quilômetros de Salvador.

‘Esse ar puro, essa visão bonita. E aqui a gente conta as histórias de Serrinha, minha história de menino aqui em Serrinha, enriquece o conhecimento sobre o pai e sobre a nossa capacidade de ver a cidade com humanismo... e a gente esqueceu Serrinha porque nós somos daqui, tanto eu como a mãe. E trazer toda essa experiência aqui, que foi um pedido seu. Na realidade, esse pedido foi de Alice’, conta o pai.

‘É muito bom [se sentir em pé com ajuda do aparelho]. Parece que você está acordando para a vida’, comemora Alice.

Alice tem dificuldades para falar, mas os avanços no tratamento já podem ser notados. Motivado pela recuperação da filha, o pai criou o primeiro centro de reabilitação do interior do estado, em um sítio em Serrinha. Usa cavalos para devolver os movimentos a Alice. ‘Eu tinha muita fé que Alice fizesse esse processo de sair do coma, depois de sete meses... e sair com pouca condição física, que Alice não saiu nem com 10% do que hoje ela está. Ela é um recado de sucesso na reabilitação’, comemora o pai.

‘Ele [Bira] é uma pessoa que conversa muito com ela, que orienta como é que ela vai fazer, como é que ela deve levar a vida dela, o sentido da vida dela, e é um pai assim extremamente zeloso’, conta a mãe de Alice, Débora Campos.

Este ano, mais uma vitória. Alice, finalmente, conseguiu concluir a faculdade de Administração, quase dez anos após o acidente.

Pai e filha têm pela frente um longo caminho a percorrer. Uma jornada de coragem e superação cumprida passo a passo em nome do amor. ‘Meu pai, muito obrigada por tudo. Eu não vou dizer que é fácil, mas eu sei que você está me ajudando intensamente e me ajudou muito a esclarecer o poder que nós temos em ajudar as outras pessoas’, agradece Alice.

Assista o vídeo da matéria:

http://ibahia.globo.com/bahiameiodia/materias_texto.asp?modulo=2906&codigo=211361


Fonte: Reportagem do BAHIA MEIO DIA, TV BAHIA, dia 08.08.2009.

domingo, 9 de agosto de 2009

O PERDÃO




Quando conseguirmos perdoar ao nosso semelhante teremos dado um passo qualitativo importantíssimo para a nossa existência.

Perdoar ao outro é uma demonstração grandiosa de nosso crescimento porque nós perdoamos quando guardamos mágoa de alguém, quando temos raiva de alguém. E perdoar é sair dessa mágoa, sair dessa raiva. Só há sentido em perdoar alguém quando se está aborrecido com esse alguém, quando se tinha alguma coisa contra esse alguém e, agora, não se tem mais. Por causa disto se perdoa.

Algumas pessoas dizem que para perdoar é necessário que esqueçamos o que a pessoa nos fez, o que sofremos por parte de alguém, de alguma instituição. Mas as coisas não podem ser propriamente assim.

Como é que nós vamos esquecer uma coisa que está presente em nós? Digamos que alguém nos haja ferido, nos amputado um dedo, um braço, como é que eu vou esquecer disto para poder perdoar?

Imaginemos uma mãe que tenha tido seu filho assassinado por um homicida qualquer. Como é que ela vai esquecer esse episódio? Como é que ela esquecerá que o filho, ou que o ente querido foi assassinado?

Logo, essa proposta de esquecer não é intelectual, não é inteligente, ela é parva, é tola. O que ocorre é que nós trataremos de mudar o valor que dávamos a essa situação.

Quando crescemos, nos tornamos adultos e conversamos com nossos pais, eles são os eiros e vezeiros em lembrar os episódios da nossa infância em que cometíamos artes, peripécias, quebrávamos as peças da casa, os vasos de porcelana de nossa mãe, objetos caros. Levávamos uma boa sova, ficávamos com raiva deles.

Quando crescemos, contamos as mesmas peripécias sorrindo um para o outro. Os pais dizem: Como você era sapeca. Como você era arteiro. Como você era danado... com outra disposição de alma. Ninguém esqueceu dos episódios mas o valor que se deu a ele no dia do acontecimento, e o valor que se dá a ele agora na adultez, isso é que se modificou.

De modo que, para perdoarmos alguém, precisamos mudar o valor que se dá a essa situação. Não alimentar, não fomentar o episódio vivido.

Se alguém nos disse alguma coisa que nos desagradou, que nos feriu, que nos magoou, não deveremos ficar presos a essa mágoa, a essa palavra que ouvimos.

Quantas vezes dizemos às pessoas coisas que magoam as pessoas, coisas que não gostaríamos nós próprios de ouvir.

Por causa disso, vale a pena fazer esse esforço por abrir mão da mágoa, da raiva, do ódio, da indiferença para que possamos, ao nos perdoar, ao entender a nossa possibilidade de cometer erros, mesmo involuntariamente, entender que os outros também podem cometer erros, involuntariamente ou voluntariamente.

Quando pensamos em perdão e no verbo perdoar, não podemos esquecer de suas bases latinas, porque perdoar provém de dois termos do latim: per mais donare. Per quer dizer além de, para mais além de, enquanto que donare é doar, é dar.

Então a palavra perdoar significa dar alguma coisa além, dar além de, dar algo mais.

Se prestarmos atenção nos ensinamentos de Jesus Cristo, Ele diz:

Àquele que te bater numa face, apresenta também a outra.

A idéia do perdão. Se alguém nos agride de fora para dentro, nos bateu numa face, que a gente apresente a outra face, a face interna, onde existe o perdão porque, se alguém me bate numa face e eu apresento a outra, estou dando alguma coisa mais.

Se alguém te pedir que caminhes mil passos com ele, caminha dois mil.

A idéia de Cristo de darmos sempre um pouco mais, o perdão.

Aquela pessoa que pede que a gente caminhe mil passos é a pessoa complicada, difícil, atormentada, e aí nós fazemos um pouco além. Quando perdoamos, fazemos sempre um pouco além.

No mesmo ensinamento nos diz o Mestre Galileu:

Se alguém te pedir a capa, dá também a túnica.

Encontramos nesse ensinamento de Jesus e em vários outros esse conceito de dar além, de dar um pouco mais.

Alguém que nos bate na face, alguém que nos pede mil passos, alguém que nos pede a capa, é alguém que está pedindo um sacrifício nosso: dar a outra face, caminhar mil passos, dar a peça que nos reveste.

Então o Cristo ensina que deveremos dar além, dar um pouco mais, perdonare. E por causa disso, o perdão é o remédio santo, como encontramos nos Evangelhos.

É graças a esse gesto de perdoar, de dar além, que nós sentimos uma paz imensa por dentro da alma, que nos sentimos integrados a essa constelação de amores da qual faz parte Jesus.

E perdoando não carregamos lixo na alma, vivemos em paz, distribuindo paz, por onde quer que passemos.

Raul Teixeira